quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

A CULPA APRISIONANDO A LIBERDADE DE SER. Parte 1

Culpa e perdão são problemas centrais do nosso tempo. Há um ditado que diz: “a culpa é como uma mochila cheia de tijolos: você a carrega de um lado para o outro, até o fim da vida. Só há um jeito de se livrar dela: jogá-la fora”. Precisamos ter consciência do quanto a culpa nos aprisiona, entender sua origem e nos libertarmos, cultivando o perdão. 



A culpa

A culpa não é intrínseca da natureza humana, ou melhor, não nasce com a gente como a tristeza ou o medo, por exemplo. Ela se desenvolveu de acordo com a evolução da capacidade do ser humano viver em sociedade. Vai se formando aos poucos dentro de cada um, à medida que vamos tomando consciência de nossas responsabilidades que incluem direitos e deveres. Para viver em sociedade, é preciso aprender que devemos respeitar a individualidade dos outros enquanto os outros respeitam a sua. Dentro dessa premissa, reconhecemos um código de comportamento sócio-cultural-religioso que deve ser obedecido e que nos torna aceitos socialmente. Sendo assim, bem cedo na vida, pais e mestres vão nos ensinando e nos corrigindo. Durante o processo de aprendizagem, seja na vida, seja na escola, ora recebemos elogios, ora somos repreendidos e até, muitas vezes, punidos. 

 Verdade dizer que cada qual tem sua natureza: algumas pessoas recebem tão bem os elogios que sentem-se alimentados por eles, tornando-se adultos confiantes e com autoestima elevada. Outros recebem tão bem as repreensões que, corrigindo seus erros, seguem em frente, evoluindo cada vez mais. Mas há (talvez uma grande maioria) aqueles que, além de não valorizarem os elogios recebidos, colocam foco exagerado na repreensão, digerem mal as punições e, ao invés de aprenderem a partir de seus erros, vão se tornando pessoas 
com baixa autoestima, desvalorizando-se cada vez mais. Sistemas rígidos de educação não aceitam o erro como um ato natural do comportamento humano e sim como uma doença que deve ser exterminada a qualquer custo. Porém, punição não ensina, castigo não traz a luz ao entendimento daquele que errou, pelo contrário, pode ativar uma revolta permeada de raiva por si mesmo, ou um desânimo diante das próximas tentativas de acerto, gerado pelo constante medo de errar novamente, entre outros estados emocionais negativos. 
A repetição desses padrões no processo de aprendizado vai causando, então, o enrijecimento da capacidade de discernir o que é correto ou incorreto de forma individual, pois, nem mesmo as convenções sócio-culturais são suficientes para sustentar um parâmetro seguro entre o acerto e o erro. Segue-se a isso, um processo de não aceitação do erro como fonte catalizadora para o sucesso. A maneira de se expressar ou de pensar livremente do individuo vai cada vez cedendo mais espaço para o que é aceito socialmente, sua criatividade e sua forma natural de ser vão se perdendo e o sentimento de culpa vai sendo instalado. A pessoa passa a desanimar-se e condenar-se por sentir-se incapaz de acertar. É um processo de autossabotagem, muitas vezes seguido de autopunição onde a pessoa parece adquirir o hábito de culpar-se por tudo e por todos. Se acontece algo de errado, “fui, eu, desculpe, é minha culpa!” ...e vão pela vida a fora, colocando cada vez mais tijolos na sua mochila de culpas, respeitando exageradamente as convenções, respeitando incondicionalmente a individualidade alheia, mas jogando por terra a sua própria individualidade. 

Sendo assim, a forma como cada um lida com o processo de aprendizagem, entre outras coisas, determina o quanto o sentimento de culpa pode se manifestar, limitando a liberdade do ser. É necessário tirar a ênfase principal do conceito negativo de culpa, que é por natureza, infrutífero, pois se dirige ao tempo passado, e colocar o conceito positivo do perdão, pois o poder espiritual se manifesta em cada ato do verdadeiro perdão. É preciso jogar fora a mochila cheia de tijolos inúteis. 


Na próxima postagem falaremos sobre o perdão e sobre a principal essência floral de Bach que pode contribuir para combater o sentimento de culpa.

Até a próxima!
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