Biografia do Dr Bach.

1. Contexto histórico.

Neste espaço pretendemos contar a trajetória do Dr Edward Bach nesta terra e o legado que nos deixou. Concluiremos que ele não foi entendido em sua época, como todos os pioneiros, sendo considerado um excêntrico por sua forte crença no poder da natureza sobre o homem.
Para melhor localizar a época, reporte-se inicialmente a 2º metade do século XIX. Aquele era um tempo de mudanças na historia. A ciência estava ampliando as fronteiras do conhecimento e na medicina alcançava grande reputação aquele que revelasse os segredos da enfermidade. Neste campo, citemos dois nomes que futuramente exerceriam influência na escolha da carreira de Dr. Bach:




  • Robert Koch , bacteriologista alemão , em 1876 havia isolado o agente causador do antrax e o bacilo da tuberculose em 1882, e depois continuou com a investigação da cólera e as vacinas da peste bovina e da malaria.



  • Pasteur , nos anos 80 do mesmo século estabeleceu a " teoria do Germe" , com a idéia de que a enfermidade é o resultado dos germes que invadem o corpo - esses eram os assassinos não vistos, o inimigo invisivel. Desenvolve também a vacina contra a raiva.


Nos fins do século XIX a imunologia e as vacinas estavam a frente das investigações médicas. As principais enfermidades contagiosas como o tifo, a difteria e o pólio abriam-se ao estudo e ao tratamento por uma nova via.

2. Do menino ao jovem Edward Bach.

País de Gales - Sugar Loaf
Nasceu a 24 de setembro de 1886 , em Moseley, uma aldeia a 3 milhas de Birmingham, na Inglaterra. Era o primeiro de 3 filhos do Sr. Walter Bach, que possuia uma fundição de bronze. Sua familia era originária do País de Gales e dela herdou o amor pela natureza e pelo místico, características do seu povo. Muito sensível, gostava de ficar no campo e caminhar entre as árvores e os pássaros. Este era um cenário que contrastava totalmente com o de Birmingham , na época, o berço da Revolução Industrial.
Ele era um sonhador , idealista, com bom senso de humor e desde de pequeno sobressaia-se pela capacidade de concentração e grande determinação, embora tivesse uma constituição fisica delicada.Segundo Nora Weeks, desde menino queria ser médico.
Revolução Industrial - Birmingham
Mas, aos 16 anos, como tinha vergonha de pedir que seu pai lhe custeasse os estudos , foi trabalhar na fundição. Entretanto, neste período pode conviver com os trabalhadores e aprender um pouco mais sobre a natureza humana.
A observação das doenças físicas dos operários e dos conflitos emocionais a ela associados, bem como o desejo de ajudá-los e ajudar a si mesmo, tornam-se estímulo para o seu trabalho posterior. Criou coragem, falou com o pai e com a benção da familia, aos 19 anos, foi estudar medicina em Birmingham.
Antes, aos 17 anos alistara-se no Corpo de Cavalaria de Worcestershire, onde pode ter mais contato com a natureza e liberar seu amor aos animais. Naquela época já não se conformava com os tratamentos paliativos que seus colegas trabalhadores recebiam, e acreditava haver um meio de curar realmente, inclusive as doenças consideradas incuráveis.





3. A formação acadêmica e a carreira médica.

University College Hospital em Londres
Dos 20 aos 26 anos Bach estudou medicina em Birminghan e finalizou os estudos com o treinamento prático no “University College Hospital”, em Londres. Um ano depois recebeu os títulos de Bacteriologista e Patologista. Aos 28 anos diplomou-se em Saúde Pública em Cambridge.
Ele não gostava da vida urbana e ficava atordoado com os barulhos da cidade. Sua dedicação aos estudos o privava do contato com a natureza que ele tanto amava. Sonhava sempre com a vida calma do campo e a beleza das árvores, animais e flores. Chegava até a evitar os passeios nos parques londrinos porque sentia que a força da Natureza poderia chamá-lo e ele não queria se distrair de seu trabalho. Não imaginava que era justamente esse amor à Natureza que iria guiá-lo de encontro ao poder de cura das flores silvestres. Sendo assim, confinava-se nos hospitais e nos laboratórios para aprender e se aprimorar cada vez mais, sempre com o desejo de encontrar uma forma de aliviar o sofrimento das pessoas. Essa era sua obstinação.
Apesar do auxilio monetário de seu pai, seu saldo não era o suficiente para que se alimentasse adequadamente, pois os livros necessários para estudo eram caros. Para complementar a sua renda fazia "bicos" como por exemplo corrigir provas até tarde da noite. Não era muito chegado aos livros. Seu método do estudo predileto era baseado na observação dos sintomas e queixas dos pacientes - preferia passar seu tempo clinicando, observando de forma singular cada paciente, levando em consideração a evolução dos sintomas que se apresentavam de forma diferente para cada um.
Aos 27 anos casou-se com Gwendoline Caiger, que faleceu quatro anos mais tarde, de difteria.
A medida que sua prática médica evoluia, tinha a impressão de que a medicina moderna era falha de alguma forma, pois observava que os medicamentos e as cirurgias agiam mais como paliativos do que como método de cura efetiva. O motivo, pensava ele, era que os estudantes de medicina aprendiam a se concentrar tanto na doença que ignoravam a personalidade do ser humano. Isto o entristecia tanto que o impulsionava a procurar novos métodos de cura até que se interessou pela área médica da Imunologia.
Depois de algum tempo tornou-se assistente do Departamento de Bacteriologia e Imunologia do University College Hospital em Londres. Ali percebeu a relação entre a presença de certos tipos de bactérias do intestino humano e as doenças crônicas. Pesquisou diversos tipos de bactérias para preparar vacinas. Os resultados obtidos foram além de sua expectativa, mas o método de injeção com o uso de seringa para inocular os pacientes o desagradava, pois causava reações dolorosas e sofrimento aos doentes. Com o intuito de minimizar esse sofrimento, começou a observar melhor os pacientes e notou que eles não precisariam ser inoculados em intervalos pré-determinados. O intervalo entre uma dose e outra da vacina passou a ser determinado pela evolução da doença em cada paciente, portanto muitos pacientes passaram a retornar somente após meses, ou até um ano depois da dose anterior. Ficou feliz porque cada vez menos injeções passaram a ser necessárias e houve a conseqüente diminuição das reações adversas.
Ainda no University College Hospital em Londres, ficou responsável por 400 leitos de traumatizados de guerra, mas nas horas de folga ia para o laboratório fazer suas pesquisas.
Trabalhou incansavelmente, até que, no mês de julho, aos seus 31 anos de idade, teve uma severa hemorragia e foi levado desacordado para hospital. Sua familia foi chamada para autorizar a cirurgia urgente de remoção de um tumor maligno no baço. Somente depois de acordar ficou ciente de sua situação de saúde e teve um prognóstico de 3 meses de vida.
Sua recuperação no inicio foi muito difícil, pois sentia muitas dores e se torturava pensando no trabalho que tinha por completar. Graças à sua determinação, assim que pode ficar em pé, foi para o laboratório pôs-se a trabalhar incessantemente com intuito de fazer o máximo possível no pouco tempo que lhe restava. Mas o tempo passou, e ao cabo dos 3 meses sentia-se mais forte e com mais vitalidade do que antes da cirurgia, chegando a surpreender os seus colegas de profissão. Concluiu então, que seu propósito firme o fortalecera e motivara para a vida e assim continuou seu trabalho. As luzes de seu laboratório nunca se apagavam - ele precisava completar sua obra!
gripe espanhola durante a I Grande Guerra
Em 1918 o mundo é assolado pela gripe espanhola que matou 20 milhões de pessoas no mundo (200.000 mortes só na Inglaterra e País de Gales). Segundo Nora Weeks, Bach foi autorizado, extra oficialmente, a inocular com as suas vacinas, as tropas de certos acampamentos, salvando vários milhares de pessoas. Ficou ainda mais famoso. Era conhecido como gênio, com um futuro brilhante pela frente. Entretanto, sentia falta dos belos campos gauleses onde crescera.
Havia uma pergunta que não lhe calava: “O que tornava uma pessoa susceptível a uma infecção? Por que tantos indivíduos se infectavam com a gripe e outros, no mesmo ambiente, saíam ilesos? Começou a concluir que o estado emocional exercia influência no prognóstico e o medo era um grande assassino. A homeopatia oferecia uma explicação mais plausível para estas questões.
Segundo a Nora Weeks: "muito cedo percebeu que a personalidade do individuo era mais importante do que seu corpo no tratamento de qualquer doença"

4. Bach e a Homeopatia
Bach tinha por volta de 32 anos de idade quando as autoridades do University College Hospital passaram a exigir dedicação exclusiva de seus funcionários, o que o desagradou devido a sua natureza livre. Desde os tempos de seu trabalho na metalúrgica de seu pai, já sabia que não era de seu feitio trabalhar horas fixas em lugares fechados, mas o que mais lhe afligia era sua consciência da necessidade de trabalhar em suas pesquisas. Pediu demissão do hospital e montou um pequeno laboratório próprio em Nottingham Place, para que pudesse continuar pesquisando os nosódios e no mesmo lugar, atender pacientes. Trabalho duro, pouca remuneração, mas muita alegria e confiança no desenvolvimento de suas descobertas.
Mais tarde, em 1919, Bach ficou sabendo de uma vaga no London Homeopatic Hospital para Bacteriologista e Patologista. Inscreveu-se, foi aceito e lá permaneceu até seus 36 anos.Entrou em contato com a homeopatia e com o Organon da Arte de Curar, escrito há mais de 100 anos antes de seu tempo por Samuel Hahnemann, o pai da homeopatia.
Samuel Hahnemann
A homeopatia o atraiu sobremaneira, pois conseguia explicar algumas de suas suspeitas. Concluiu que aquilo que ele definia como toxemia intestinal assemelhava-se à psora de Hahnemann. O que mais o encantava era perceber que Hanemann tratava a pessoa como um todo, não fechando o foco simplesmente na doença. Tratava cada um de forma diferente, adequada à personalidade de cada indivíduo, levando em conta os estados emocionais das pessoas... e Bach pensava do mesmo jeito! Isso poderia ajudá-lo nas novas descobertas, pois parecia ser uma maneira mais natural de tratar as pessoas, eliminando a causa das doenças, seu sonho desde criança.
Aprofundando-se no assunto passa a orientar suas investigações nas bases da Homeopatia e começa a preparar suas vacinas como nosódios homeopáticos, que mais tarde dividiu em sete grupos chamados Nosódios de Bach . A propriedade das vacinas era a de purificar o trato intestinal limpando tudo o que havia sido ingerido, de forma que permanecessem no organismo, somente os nutrientes puros e necessários. Obtém pleno sucesso no tratamento de centenas de pacientes com os Nosódios na Grã-Bretanha e no continente e sendo reconhecido por homeopatas e alopatas, torna-se um homeopata de renome.
Sempre buscando formas menos agressivas de tratamento, começa a administrar os nosódios via oral, não mais parenteral, e substitui os exames bacteriológicos pelo diagnóstico por meio dos sintomas emocionais relacionados com cada grupo de bactérias. Achava que dessa forma estaria poupando os pacientes do desconforto e do estresse a que eram submetidos para a execução dos exames clínicos. Apostava na prevenção da saúde e no tratamento da causa da enfermidade: “tratar o doente, não a doença” era o seu lema.
Nora Weeks
Mesmo trabalhando no Hospital Homeopático ainda mantinha seu pequeno laboratório de Nottingham Place com atendimento gratuito aos necessitados, e seu consultório em Harley Street. Precisava de tempo, pois ainda tinha muito que pesquisar sobre os nosódios. Acabou desistindo de seu posto de bacteriologista no hospital e se mudou para um grande laboratório em Crescente Park, local onde conhece Nora Weeks, uma radiologista que ficou fascinada pelas ideias de Bach e que mais tarde, se tornaria sua assistente, permanecendo com ele até o fim de seus dias.
A essa altura, Bach era conhecido como “o Segundo Hahnemann”. Além de sua participação em diversos congressos de homeopatia, fez várias publicações com médicos homeopatas, entre elas, “A relação entre a Vacinação e a Homeopatia”, “A Toxemia Intestinal e sua Relação com o Câncer”, “A Descoberta da Psora”. Dr.Bach fazia questão de tornar públicas todas as suas descobertas, para que todos pudessem se beneficiar dos seus efeitos o mais rápido possível.
Defendia a necessidade de uma dieta que reduzisse a produção de toxinas nos intestinos, pois os benefícios que ela produzia eram relativos a uma melhora geral da pessoa e não uma melhora parcial, resultante de um tratamento local. Sentia a vontade profunda de descobrir mais remédios, principalmente remédios mais “puros”. Sentia-se atraído pelas flores silvestres por conhecer suas qualidades curadoras e seu desejo era trabalhar com remédios do campo e da natureza, que pudessem ser associados com componentes psíquicos presentes no surgimento das doenças. Não queria mais usar as bactérias para o preparo dos remédios e sim ingredientes naturais e puros que substituíssem os nosódios. Começou a fazer experiências com plantas. Além disso, os Sete Nosódios não eram suficientes para curar todas as doenças crônicas. No seu primeiro discurso público em 1929 ao discorrer sobre suas descobertas homeopáticas afirmou “gostaria de estar apresentando a vocês sete ervas em vez de sete grupos de bactérias.”
Rio Usk , Crickhowell, País de Gales
Ao completar 42 anos de idade (setembro de 1928), por um impulso de intuição dirige-se ao sul do Pais de Gales, em Crickhowel. Às margens do rio Usk encontra duas flores com as quais iria preparar suas primeiras essências florais pelo método homeopático: Impatiens e Mimulus. Levou-as para Londres e começou a prescrevê-las baseado nas personalidades das pessoas. Obteve resultados positivos e encorajadores. Depois preparou o terceiro floral com Clematis e desistiu dos antigos remédios para ir atrás de outras plantas. Sua intenção era realmente substituí-los pelos remédios a base de ervas.
Em Sotwell Dr.Bach gostava de frequentar o Pub Red Lion. Sentava-se com sua cerveja e punha-se a observar as pessoas. Relacionava-se socialmente, mas não gostava de formalidades, entretanto às vezes via-se obrigado a aceitar convites. Foi assim que num certo jantar de gala enfadonho, sentindo-se aborrecido, passou a observar as pessoas para se distrair. Observou seus gestos, suas reações e começou a agrupá-las conforme as semelhanças de comportamento. Pensou que personalidades semelhantes poderiam sofrer de doenças similares, mas em seguida teve a intuição de que qualquer pessoa poderia sofrer de qualquer doença, mas a maneira de reagir às doenças e que dividiria os grupos. Então concluiu que a humanidade inteira estaria dividida em alguns grupos de tipos e que cada tipo apresentava um conjunto de características comportamentais em resposta a determinados estímulos, muitas vezes em forma de doenças.
Pub Red Lion, Sotwell
Para ele, o foco do tratamento de uma doença não podia simplesmente estar na própria doença, mas precisaria achar um tratamento para os humores e as emoções negativas responsáveis pelos processos de adoecimento. "O ponto vital é a polaridade", dizia ele. Os remédios homeopáticos utilizavam elementos da natureza que na sua polaridade negativa causavam as doenças e após a potencialização os mesmos elementos assumiam a polaridade positiva tornando-se capazes de reverter o processo, curando a doença. Pensava: “a ciência tende a mostrar que a vida é harmonia – um estado de afinação – enquanto a doença é desafinada, ou é uma condição em que uma parte ou o todo não está vibrando em uníssono” Neste momento estava definitivamente determinado a dedicar o resto de sua vida ao que ele acreditava ser um novo sistema de cura, e tinha a certeza que a natureza iria prover. Foi um momento decisivo.

5. A descoberta da nova Medicina


Dr. Bach, com toda sua formação e experiência em bacteriologia, fazia todas suas pesquisas com bases científicas, mas confiava na sua intuição quando a ciência não lhe trazia respostas satisfatórias. A essa altura já sabia que o foco de seu pensamento era o contexto espiritual da vida humana. Aos 43 anos de idade já havia abandonado a terapia com os Nosódios e estava a ponto de abandonar a medicina ortodoxa devido a sua insatisfação com a essa medicina, pela sua simpatia pela Homeopatia e pelo direcionamento que ela lhe proporcionava, e pelo desejo de seguir as percepções que lhe revelavam o seu desenvolvimento espiritual.
Em 1930 Bach estava começando a viagem real de sua vida: a do propósito de sua alma, a realização de seu destino. Transitou por um caminho de sensibilidade crescente. Aos 44 anos, no auge de sua carreira médica, Bach resolve vender o consultório e o laboratório para se dedicar exclusivamente ao estudo dos diferentes tipos de personalidade humana e à busca de plantas curadoras. Antes de partir, queimou tudo o que havia escrito, pois seu sistema seria baseado na Natureza, seria Simples e Natural e não seriam necessárias teorias nem ciências para descrevê-lo.
Deixou o resto do trabalho com os Nosódios para ser concluído pelos colegas e auxiliares que trabalhavam com ele. A maioria dos colegas o condenou, mas foi encorajado pelo Dr.John Clark, diretor de um jornal de medicina homeopática que colocou seu periódico a disposição para que Bach publicasse suas descobertas e despediu-se dele com as seguintes palavras: “Rapaz, esqueça tudo o que você aprendeu, esqueça o passado e vá em frente. Você vai descobrir o que você esta buscando, e quando você tiver descoberto, eu irei recebê-lo de braços abertos e dar a você meu apoio. Eu já não tenho muito que viver, mas espero que possa viver o bastante para ver o dia do seu retorno, pois eu sei que o que você vai encontrar, trará grande alegria e conforto àqueles por quem nós, no presente, podemos fazer tão pouco; eu estarei preparado para dar meu apoio e me colocar como um prático da nova e melhor medicina que você descobrirá.” Dr. Clark viveu para conhecer os Doze Curadores e, antes de sua morte, fez a primeira publicação sobre o assunto no seu The Homeopatic World. (segundo Nora Weeks) .

Betws-y-Coed -em galês,“um templo na floresta”- localizada no Parque Nacional da Snowdonia -
casas construídas com pedras retiradas das montanhas
da região: integração perfeita com a natureza!

Então Bach empacotou suas coisas: roupas, sapatos, somente o necessário. O excedente deixaria para traz, mas preocupou-se com seus livros e aparelhagem de laboratório para que pudesse continuar estudando e pesquisando. Em maio de 1930 abandonou Londres e partiu para Betws-y-Coed, no Pais de Gales, feliz como um colegial saindo de férias. Chegando lá descobriu que levara por engano uma mala cheia de sapatos no lugar da mala com o material para o preparo dos medicamentos homeopáticos. O acaso foi responsável pela troca, mas Bach logo compreendeu o motivo do engano: dali pra frente, sua pesquisa e sua forma de preparar medicamentos não dependeria mais do uso de equipamentos laboratoriais, e sim de suas caminhadas pelos campos e pelo contato com as pessoas.
Bach sofreu privações pela falta de dinheiro, mas amigos faziam doações que lhe permitiram dar continuidade ao trabalho. A partir daquela nova fase de sua vida jamais cobrou uma consulta, pois para ele o trabalho com a cura não era uma profissão e sim uma arte divina.

Impatiens

Foi em maio em Abersoch - Gales que, caminhando de manhã cedo pelos campos, como fazia com frequência, teve um insight: as gotas de orvalho brilhando sobre as pétalas das flores lhe chamaram a atenção. Sabia que as flores tinham poder de cura e pensou que a as gotas de orvalho deveriam absorver algumas dessas propriedades. Há muito vinha passando horas a fio observando as flores: sabia como se comportavam durante o ano, conhecia o tipo de solo onde cresciam, a forma de reprodução, suas sementes, sua floração, seus perfumes. Levou o orvalho de uma flor à boca e conseguiu sentir seu efeito curativo. Não seria viável engarrafar as gotas de orvalho, então Bach percebeu que tudo o que precisava era água, flor e sol. "A luz do sol transfere para a água o poder da flor”, foi o pensamento que lhe veio à mente naquele momento.
Assim nasceu o Método Solar, que consiste em colocar as flores silvestres dentro de uma tigela de vidro transparente, cobri-las com água pura de nascente e deixá-las ao sol pleno durante algumas horas. Dessa forma simples passaram a ser produzidos seus medicamentos. Ao ar livre, em contato com os quatro elementos da natureza: “a terra para nutrir a planta, o ar de onde ela se alimenta, o sol ou o fogo para permitir que a flor doe seu poder, e a água, para recolher e enriquecer com seus benéficos poderes magnéticos de cura.” Excluiu do seu repertório de plantas aquelas que eram comestíveis ou tóxicas, pois precisava de muita pureza e delicadeza para fazer seus novos remédios.
Na sua publicação para o The Homeopatic World ele escreve: “não permita que a simplicidade deste método o detenha, pois você vai perceber que quanto mais você se aprofundar nas pesquisas, mais perceberá que a simplicidade esta em toda a Criação”

6. O manuscrito CURA-TE A TI MESMO
Bach desenvolvia a sua teoria dos tipos e continuava procurando outros remédios. De Betws-y-Coed, em Gales, resolveu cruzar para a costa em Abersoch onde permaneceu nos meses de junho e julho de 1930. Continuava desenvolvendo o método solar, e entre suas caminhadas nos campos e passeios na praia, produzia quase que sempre ao ar livre, o manuscrito do livro que introduziria a nova medicina: “Cura-te a ti mesmo”.

Em seu livro, ele deixaria todo a resultado de suas observações sobre o ser humano explicando seus conceitos de saúde e doença, além dos princípios que regem o processo de recuperação da saúde. Explicava: “as doenças que atingem o corpo não tem causas no físico, mas em distúrbios de humor ou estados da mente que interferem na alegria, que é natural em qualquer pessoa.” Quando esses humores persistem, acabam levando a distúrbios no funcionamento dos órgãos e tecidos, resultando na instalação da doença, pois a mente está em controle absoluto das condições físicas e mentais de todo ser humano. À medida que a mente recupera a paz e a alegria normais, a pessoa também recupera o sábio e perfeito controle sobre o corpo, recuperando seu estado saudável e alegre. Os remédios florais teriam “o poder de elevar nossas vibrações e assim nos conceder um poder espiritual que limpa a mente e o corpo e cura a doença.”
Bach sabia ser o Homem “dotado de toda sabedoria e conhecimento necessários para guia-lo através da sua vida terrena com felicidade, alegria e saúde, sendo que essa sabedoria chega a ele através de sua intuição e instinto.”(Nora Weeks).
Segundo N.Weeks, Bach era totalmente guiado por intuição, até mesmo na sua vida pessoal. “Natural, espontâneo, não se deixava levar por circunstâncias ou por outras pessoas.”
Julian Barnard em seu livro Bach Flower Remedies – The Essence Within”... lança uma pergunta e em seguida a responde: “Como Dr.BACH fez suas descobertas ou como ele soube quais flores seriam a solução para cada estado emocional especificamente?” “Diante dessas questões muitas respostas diferentes podem ser dadas. Às vezes é como se algum anjo do bem ou outro ser desencarnado estivesse sussurrando ao seu ouvido dizendo o que ele devia procurar. E por que não? Isto se chama canalização e muitas pessoas tem essa experiência. Mas talvez Bach, apesar de sua prática em medicina não fosse um homem a favor da abordagem física médica. Então, uma vez mais as pessoas dirão: ele era um sensitivo que só precisava por as suas mãos sobre uma flor e sentiria exatamente quais seriam suas qualidades curativas. Bem, para os sensitivos essas coisas sem duvida acontecem: é possível sentir a forte qualidade vibracional da planta e reconhecê-la, dar a ela atributos, formatos, palavras, e assim ocorria. “Mas Bach, cuja prática era a de um cientista trabalhou com base em observações científicas sobre suas suspeitas.” Ele era seu próprio laboratório.” (por Julian Barnard)
Dr.Bach continuava suas andanças buscando a flores para seus novos remédios. Sua sensibilidade crescente lhe permitia perceber as vibrações emitidas por qualquer planta que quisesse testar e seu corpo reagia instantaneamente, pelo simples fato de segurar na mão uma pétala de flor. Experimentava as gotas de orvalho para descobrir o que elas tinham de curativo e sentia as reações, alguma leves, mas outras mais sérias como vômitos, febre, dores, erupções.
Quando seu manuscrito ficou pronto, Bach o levou a Londres com a intenção de encontrar algum editor para publicá-lo, mas nenhum quis assumir a responsabilidade pelo livro, pois suas ideais eram revolucionárias de mais. Estava praticamente falido a essa altura e não podia bancar a impressão. Ficou aborrecido, pois seu objetivo como sempre era divulgar suas descobertas e o mais rápido possível para que as pessoas pudessem ser beneficiadas.
Sua crescente sensibilidade tornava difícil a sua vida em Londres, pois o barulho e a agitação lhe exauriam a ponto dele adoecer. Importante lembrar que Bach via na alegria um indicador de uma vida em plenitude, sendo a felicidade o resultado da obediência aos comandos da Alma – nosso Eu Superior que recebemos por intuição e instinto. Portanto, dizia, “A infelicidade atrai crueldade , ciúmes, baixo auto estima , instabilidade, ignorância, orgulho e ódio – causas das doenças- enquanto a
felicidade atrai o oposto: doçura , força, coragem, firmeza , sabedoria , paz e amor”.
Assim, Bach deixou de lado o manuscrito e voltou para a paz do campo , na certeza de encontrar novos remédios e prepará-los pelo método solar de potencialização.
Em agosto de 1930 Bach tinha-se fixado na costa leste da Inglaterra, em Cromer, no condado de Norfolk, a beira mar, juntamente com a assistente Nora Weeks. Nessa etapa de seu trabalho estava concentrado na classificação dos humores. Por se tratar de um local de veraneio, em Cromer Bach teve a oportunidade de observar pessoas saudáveis (em contraste com aquelas que frequentavam seu consultório ou que ele havia tratado nos hospitais de guerra), e conseguiu obter muitos dados que confirmaram suas suspeitas. Neste local desenvolve a teoria dos tipos definindo com segurança seus 12 grupos.
Sempre que podia, voltava para Cromer.

7- Os Doze Curadores


O que mais alegrava Dr. Bach era perceber que os florais promoviam melhorias na saúde geral além de restabelecer o interesse pela vida. Em fevereiro de 1930 havia sido publicada sob o titulo Novos Remédios e Novos Usos”, a descrição do Mimulus, do Impatiens e do Clematis - os três primeiros. Ainda em Cromer, no mês de agosto, observando e estudando pessoas e buscando pelos arredores de Norfolk, na pequena vila de Blackeney & Clay, com suas ruas estreitas e casas com imensos jardins, repletos de flores, Bach encontrou mais flores simples e comuns do lugar, com as quais preparou seis novos florais além de preparar novamente o Clematis, desta vez pelo Método Solar. Testou Agrimony e em seguida, Chicory, Vervain, depois Centaury, Cerato e Scleranthus. Agora já eram nove essências.
Bach permaneceu em Cromer durante o inverno, tratando pacientes com seu novo repertório de essências florais. À sua casa em Cromer iam muitas pessoas em busca dos seus medicamentos de flores, que a essa altura já haviam alcançado repercussão pelos maravilhosos resultados conseguidos. Ele observava as ações dos novos remédios e anotava os resultados. Enquanto isso ia publicando suas descobertas em artigos para o “The Homeopatic World”. Dr.Bach foi o primeiro a descrever e a publicar os casos clínicos tratados somente com os florais.
Mas Bach nunca cobrava por suas consultas e estava sempre sem dinheiro no bolso. Ele confiava plenamente na Providencia Divina: nas situações de aperto, como quando tinha que comprar uma passagem de trem para continuar suas buscas, o dinheiro aparecia. Fosse como um pagamento atrasado, ou como donativo, enfim o dinheiro certo aparecia na hora certa, nem mais nem menos do que o necessário naquele momento. E foi assim que finalmente conseguiu alguém que publicasse seu manuscrito. Em fevereiro de 1931 sai a primeira edição do “Cura-te a ti Mesmo”.
Sussex
Em março, Bach sai de Cromer. Era o começo da primavera. O clima e sua intuição diziam que era chegada a hora de deixar o consultório e voltar aos campos. Em abril de 1931, parte novamente para o Pais de Gales em busca dos três últimos curadores, mas foi em Sussex, Inglaterra, que descobriu o Water Violet. Em seguida percorre o vale do Tamisa e se instala perto de Wallingford. Seus dias voltaram a ser vividos praticamente ao ar livre. Seu décimo primeiro floral, Gentian, ele sabia, só floresceria no outono. Esperou pelas flores e preparou a essência na cidade de Kent.
Passou o inverno seguinte em Cromer novamente. Agora teria que esperar novamente para encontrar a décima segunda essência. Enquanto isso atendia pacientes – com sucesso! Mas com a chegada da primavera novamente, Bach fica ansioso para sair a campo. Entretanto, amigos e pacientes antigos de Londres há tempos pediam seu retorno. Ele tentou: ocupou um consultório em Wimpole Street que logo se encheu de pacientes. Mais uma vez, a correria, a multidão, a cidade o afetariam de mais. Adoece física e mentalmente. Procurava com frequência as árvores do Regente Park onde permanecia sentado durante horas para recuperar sua energia vital. E foi no Regent Park que escreveu “Free Thyself” – “Liberte-se”, uma publicação na forma de panfleto que fala da intuição e explica toda sua filosofia de vida e de profissão. No livro acrescentou a descrição e o uso dos onze remédios encontrados até então. Primeira e única edição em 1932, que deixou de ser publicada porque logo em seguida Bach descobriria a décima segunda essência. Na verdade, Bach suportou Londres somente por dois meses e saiu atrás do último curador - Rock Rose – nos arredores de Kent, perto do local onde Gentian florescia no outono. Então escreve o livro “The Twelve Healers – “Os Doze Curadores.
Estava completo o seu repertório das Doze Essências Curadoras.


Kent
8 - Os Sete Auxiliares
Era inverno em Cromer no ano de 1932. Dr. Bach fazia publicações na impressa leiga, de modo que qualquer pessoa, principalmente os necessitados, pudesse conhecer os seus remédios. Mas a comunidade médica relutava em aceitar suas ideias de cura. Então, certo dia ele resolve publicar um anúncio sobre seus remédios de ervas em alguns jornais de grande porte, já sabendo o risco que corria de perder seu registro como médico. Alguns dos jornais nem sequer chegaram a publicar o anúncio numa tentativa de proteger Dr.Bach, mas outros dois jornais o fizeram. Essas publicações foram o motivo da desaprovação pelo Conselho Médico Britânico, que durante um ano, desde novembro de 1932 até novembro de 1933, faz intensa troca de correspondências com Dr. Bach na qual ele sofre repreensões e ameaças de expulsão. Mais tarde, em 1936 o referido Conselho voltaria a criticá-lo por estar trabalhando com auxiliares leigos em seus atendimentos. Entretanto, o nome de Bach nunca foi retirado dos livros de registro. Em uma carta ao Conselho, Bach dizia que não se considerava mais medico, e sim um “herbalista”. E foi por vontade própria que rescindiu com a Associação e com a Medicina Ortodoxa para nunca mais voltar atrás.
Rock Water
Os bons resultados com os 12 curadores já eram uma certeza, mas Bach começou a perceber que precisaria de outro grupo de essências que ajudassem aqueles casos mais crônicos e mais difíceis de serem tratados. Esse segundo grupo de essências deveria tratar aqueles que, de tanto sofrer, passavam a acreditar que, já que o sofrimento era uma constante em suas vidas, a solução seria adaptar-se à vida com sofrimento! Em janeiro de 1933, Bach deixou novamente Cromer e foi para Marlow em busca de novos remédios. Em abril, descobre Gorse, iniciando a descoberta dos florais que comporiam o grupo dos 4 Auxiliares. Em maio, de volta a Cromer, descobre Oak na floresta de Felbrigg; em agosto, em Abergavenny descobre Heather e, ao mesmo tempo, Rock Water, única essência não extraída de flor, mas de uma fonte conhecida por suas propriedades curativas.
Foi uma época bem atribulada para Dr.Bach, pois muitos pacientes começaram a procurá-lo enquanto a correspondência com o Conselho de Medicina tomava seu tempo. Entre suas andanças ainda consegue escrever o manuscrito chamado “The Twelve Healers” (Os Doze Curadores), impresso em forma de panfleto, onde descreve os remédios e os estados de mente e humores que eles podiam aliviar, juntamente com as instruções de preparo, prescrições e dosagens. A princípio pensou em vender os panfletos por “dois centavos de libra”, com o intuito de recuperar os gastos com a impressão. Mas esquecia de cobrar!
Os florais de Bach já eram conhecidos na Inglaterra e fora dela. A aceitação e o sucesso de seus remédios de flores eram os sinais de que sua decisão de informar os leigos sobre sua medicina havia sido acertada. Seu desejo era disponibilizar seus remédios cada vez mais. Assim, presenteou dois grandes laboratórios londrinos com vários “kits” de essências florais pedindo que eles fossem vendidos pelo menor preço possível.
Apesar de já haver determinado que ainda faltavam três essências para completar o grupo dos 7 Auxiliares, Bach decidiu escrever o seu livro – “The Twelve Healers and Four Helpers”- publicado no outono de 1933, incluindo a descrição e prescrição dos 4 auxiliares já descobertos.
Nesta época já fazia uso de uma mistura de três essências - Rock Rose, Clematis e Impatiens - que ele denominou de Rescue Remedy - para tratar casos de emergência como acidentes e dores agudas ou pânico. Ele carregava um vidrinho dessa essência sempre em seu bolso. Com essa mistura, em dezembro de 1934, salvou um pescador que naufragara em uma tempestade em Cromer. Muitas curas acontecem em Cromer. Bach foi desenvolvendo cada vez mais sua sensibilidade e desprendimento dos bens materiais. Continuava não cobrando pelas consultas e vivia da venda de seus livros e das doações dos pacientes que faziam questão de contribuir para que seu trabalho pudesse continuar a ser desenvolvido. Mas nunca passou por privações severas.
Só no verão seguinte, em junho de 1934 voltou a se dedicar à busca dos três remédios que faltavam e encomendou aos seus amigos da Itália e da Suíça as essências de Olive e Vine. Depois descobriu o Wild Oat, e assim completou o quadro dos Sete Auxiliares. O propósito dos remédios auxiliares era eliminar o estado emocional crônico para revelar a pessoa real e, portanto, a lição de alma que havia descrito nos 12 Curadores.
A nova medicina de ervas atingira um repertório de 19 essências florais. Dr.Bach levou 4 anos vagando pelas áreas rurais e pela costa de Inglaterra e Gales, permanecendo pouco tempo em cada lugar. Como não tinha endereço fixo, acabava perdendo correspondências e o contato com amigos e pacientes. Começou a pensar que precisava de um lugar para morar. Dessa forma poderia reencontrar colegas de profissão com o objetivo de encorajá-los a usar a nova medicina.
Mount Vernon, Sotwell
Em abril de 1934 estabeleceu-se em Sotwell, no vale de Tamisa em uma pequena casa alugada chamada de Mount Vermon (em vez de número, as casas afastadas das áreas mais urbanas na Inglaterra têm nomes). Bach ficou feliz, pois muitas de suas plantas cresciam nos arredores da nova casa. Suas economias se esgotaram nesse empreendimento e ele mesmo teve que fazer a mobília, a partir da madeira de caixas de frutas. Seus moveis ainda podem ser vistos em Mont Vernon, onde hoje funciona o Centro Bach. Nora Weeks, sua fiel assistente, o acompanhou e Victor Bullen, um velho amigo, veio de Cromer para ajudá-lo.
Como era de costume, no começo de seu trabalho nessa região, Bach não cobrava pelos atendimentos e nem remédios, mas acabou cobrando um valor simbólico para que os pacientes sentissem que havia uma energia de troca (que ele achava positiva) onde os pacientes também doavam, ao invés de só receber.
Nora Weeks sugere que o ano de 1934 foi o ano da conciliação, com longos e tranquilos dias dedicados ao trabalho no jardim. Confeccionou móveis e escreveu “The Twelve Healers and the Seven Helpers” (os 12 Curadores e os 7 Auxiliares). Caminhou e conheceu a região. Aquela seria a calma antes da tormenta.

9 - Uma nova etapa: de Cromer para Sotwell
Até 1934 Dr.Bach havia encontrado dezenove medicamentos, oito deles na região de Cromer. Ele gostava muito daquela região. Adorava os campos de Gales, mas a região costeira de Cromer trazia para ele o contato com o mar e com as pessoas que dele viviam. Ele admirava a forma como essas pessoas se relacionavam com o mar, seu conhecimento e sua sabedoria, fruto de um respeito á natureza a partir do instinto e da intuição, sem nenhuma formação acadêmica. Entre eles fez muitos amigos e sentia-se bem. Mr.Jack Davies era um de seus amigos pescadores e uma vez afirmou que Dr.Bach estava sempre pronto, a qualquer momento do dia ou da noite, a ajudar a qualquer um, de qualquer maneira, pobres ou ricos - isso não fazia diferença.” Graças a sonhos premonitórios e pressentimentos, Dr. Bach chegou a evitar alguns acidentes na região de Cromer. Estava sempre atento às necessidades da comunidade! Mesmo quando saiu daquela região, sua sintonia com os pacientes era tão profunda, que muitos escreviam para ele relatando que durante a noite, quando no período de doença, Bach lhes aparecia em sonhos ou ilusões, tocava-lhes a fronte ou o braço e os acalmava, até que caiam em sono profundo e reparador. Verdadeiros milagres que Bach, com sua humildade atribuía a Conexão Superior que se formava entre ele e seus pacientes.


Pescadores em Cromer

O tempo que ele passou em suas idas e vindas da costa leste em Cromer para o oeste em Gales, pesquisando, atendendo de graça, sem salario, sem residência fixa, fazia alguns acreditarem que ele fosse rico, com economias guardadas do tempo de sua pratica em Londres, mas os mais próximos sabiam que muitas vezes, lhe era difícil compra o brandi com o qual preparava seu florais. Suas palavras: “Tudo o que consegui foi devido a Proteção do Grande Poder que zela por mim e à tarefa para a qual eu fui designado a cumprir.” Na verdade, Bach preocupava-se tão pouco com as aparências, que chegou até a ser confundido com um vagabundo de rua por um transeunte desconhecido.
Agora estava cansado, mas muito feliz. Já havia descoberto dezenove essências florais, sua medicina era aceita em diversos lugares na Inglaterra e fora dela, e os leigos, conforme seu grande desejo, já podiam fazer prescrições a partir das informações que divulgava com frequência. Interessante que Dr. Bach dizia ter inveja dos leigos, pois eles conseguiam se concentrar nos estados de alma puro de seus pacientes, enquanto ele, com seus conhecimentos médicos ortodoxos, muitas vezes se deixava levar pela preocupação de um possível agravamento na evolução da doença, ou pelos sintomas físicos que os distraiam do que deveria ser o seu verdadeiro foco: a atitude mental dos pacientes.

Mobilia da Casa Mount Vernon

Outro motivo para a alegria de Bach era sua casa em Sotwell. Estava, como sempre, sem dinheiro, mas confiava no futuro. Gostava do pequeno vilarejo perto de sua casa, mas sentia-se cansado. Então, por algumas semanas, não deixou que seus conhecidos soubessem de seu paradeiro, e tampouco apresentou-se como médico aos novos vizinhos da região. Aproveitou a quietude e a paz de seu novo lar e escreveu a segunda edição do livro, “Os Doze Curadores e os Sete Auxiliares” que seria publicado em julho de 1934.
Passou dias trabalhando no jardim e assim, recuperou suas forças. Descoberto seu paradeiro, pacientes começaram a aparecer aos montes. Para ajudá-lo, Bach treinou com muito cuidado, três pessoas leigas que se tornariam seus colaboradores e a quem ele chamava de “seu time”. Durante a primavera, uma vez por semana, ia a Londres tratar pacientes, mas isso lhe custava muito desgaste físico e mental. Então parou e se fixou definitivamente na sua casa (Mount Vernon) em Sotwell.

Bach passou algum tempo em uma velha casa chamada Wellsprings, que pertencia a Mary Tabor, uma de suas colaboradoras. Lá, nas suas horas de folga trabalhou na produção de mobília para essa casa e para a sua Mount Vernon. Reciclou caixas de frutas para fazer cadeiras, fez camas e mesas da madeira do elmo e deu o acabamento com extrato de nogueira em vez do polimento usual. O lugar era bucólico, cercado por jardins e um orquidário. Era a primeira vez que ele trabalhava com carpintaria, mas fez tudo com facilidade, prazer e simplicidade. O resultado foi simplesmente bonito!
Esse trabalho ocupou sua mente por um tempo, mas no fundo Dr.Bach já tinha consciência de que uma nova etapa de seu trabalho estava por vir. Mais trabalho, mais pesquisas, mais descobertas, pois certos estados de mente ou humores não haviam sido incluídos no grupo dos primeiros dezenove. Ele precisava esperar pela próxima primavera para retomar sua pesquisa, e talvez já imaginasse que isso exigiria dele uma intensa atividade interior e muito gasto de energia.


Casa Wellsprings

Os 19 complementares

A descoberta dos 19 complementares aconteceu de maneira muito diferente do grupo inicial. Na época Bach sofria de sinusites com dores de cabeça fortes e desesperadoras. Numa manhã de março de 1935 ele saiu vagando pelos campos. Sabia que estava prestes a encontrar um floral que iria curar seu sofrimento mental:o medo de perder o controle. Encontrou as nuvens formadas pelas flores brancas do Cherry Plum. Pegou algumas flores. Pensou que o sol de março (inicio da primavera) não seria suficiente para potencializar sua nova erva, então decidiu ferver as flores em água por uma hora. Esperou esfriar, coou e tomou algumas gotas. Sua agonia se foi e junto com ela as dores.
O método da fervura seria usado daí em diante para preparar as plantas que florescem de fevereiro a agosto. Depois de uma hora de fervura em panela de ágata, a mistura é deixada para esfriar perto da planta de origem, depois coada e engarrafada junto com a mesma quantidade de brandy (conhaque a base de uva conservada em toneis de carvalho) utilizado como conservante, da mesma forma que as essências feitas pelo método solar.

Método de Ebulição

Entre março e agosto daquele ano de 1935 Dr.Bach encontrou e preparou os 19 remédios – uma media de um por semana. Foi um processo agonizante, pois antes de encontrar um novo remédio experimentava a intensidade de cada estado emocional para qual o remédio seria de ajuda.
A descoberta de cada um deles era antecipada por seu sofrimento físico e mental. Seu sofrimento era tamanho, que seus colaboradores pensavam que ele iria sucumbir, mas graças à sua coragem e fé, ele continuava a ver seus pacientes, a cuidar da correspondência e a buscar pelos campos, da forma como conseguisse: a pé, de bicicleta ou de carro.... Cada vez mais sensível, Bach chegava a contrair os sintomas da doença de seus pacientes, antes mesmo que eles entrassem em sua sala para a consulta. Nora Weeks, Victor Bullen, Dr.Wheeler e Mary Tabor eram testemunhas do seu esforço sobre-humano.
Escolheu flores de árvores - Cherry Plum , Elm, Aspen, Pine, Larch, Hornbean, Willow, Beech, Crab Apple e Walnut, além das três castanheiras: Red Chestnut, Sweet Chestnut e White Chestnut da qual extraiu um floral das flores e outro dos botões, o Chestnut Bud. Depois Holly, Honeysuckle e Wild Rose - arbusto, e mais duas ervinhas - Star of Bethlehem e Mustard. Escreveu e publicou um folheto explicativo sobre suas ultimas descoberftas, que depois foi inserido no livro “The Twelve Healers and Seven Helpers.”
Depois escreveu Os Doze Remédios Curadores e Outros Remédios”, onde descreve com tamanha clareza os 38 estados emocionais a serem tratados pelos florais, que mesmo a mente mais simples poderia compreender o que ele queria dizer. Nesse livro separa suas 38 essencias florais em sete grupos: para o medo, para a indecisão, falta de interesse no presente, para a solidão, excesso de sensibilidade a influencias e opiniões, para o desespero ou desalento, para a preocupação excessiva com o bem estar dos outros. Com o livro publicado em 1936, Bach declara que “havia completado a sua obra e sua missão na Terra.”
Só faltava agora, divulgar seu método simples de cura. Concentrou-se no planejamento da palestra que ele e seus colaboradores deveriam proferir para tornar publico o seu trabalho, explicando métodos de tratamento e prescrição de suas Ervas Curadoras - como ele chamava. Seu plano era espalhar seu método por todos os lugares onde passassem.

Cemiterio em Sotwelll -túmulo de Bach
O desgaste daqueles 6 meses havia sido enorme. Ficou exausto e enfraquecido, mas Bach era um homem feliz! Nunca perdeu o interesse pelos acontecimentos da vila, nem desistiu de trazer alegria a seus companheiros, pois sabia que alegria era fundamental para a saúde e bem estar de todos. No pub local – The Red Lion, ele brincava e ria, cantando suas canções favoritas, sempre pagando a primeira rodada de bebida para todos. Gostava de críquete e futebol, e acompanhava com alegria os jogos locais. Agora usava barba e estava calvo. Passeava com seu cachorrinho Lulu, com uma vareta na mão. Uma figura que se destacava, sempre alegre e companheiro.
No dia em que completou 50 anos - 24 de setembro de 1936 - proferiu sua Conferencia Pública chamada “The Hewaling Herbs” (Ervas Curadoras) em Wallingford, e em outubro, na Maçonaria. Depois desses eventos adoeceu severamente e faleceu! Morreu em seu leito, dormindo, na noite de 27 de novembro de 1936 e foi enterrado perto de Mount Vernon. Em sua lápide alguém escreveu “Amados – Estou vivo para sempre”.
Havia treinado muito bem o seu time para que pudesse ficar mais tranquilo e se dedicar ao trabalho que viria a diante, pois sabia que muito ainda precisava ser feito, não sabia o que nem se seria feito neste plano ou em outro. Pelas palavras de Nora Weeks: “Para Bach a vida era continua sem interrupção pelo que chamamos de morte, que simplesmente passa para uma mudança de condição; ele tinha certeza que algumas tarefas so podiam ser feitas no plano terreno, enquanto o plano espiritual seria necessário para outros tipos de trabalho.”
Sua coragem, determinação e altruísmo nos deixou esse belo legado: um sistema de cura simples, seguro, completo, de uso simples, acessível a todos, pois esse é o jeito da Natureza e é o correto. Após a sua morte, Nora Weeks e Victor Bullen continuaram o trabalho da forma que Bach deixou. Em 1958 eles conseguiram recursos financeiros para comprar Mount Vernon.
Na porta da casa Mount Vernon - há uma placa com a inscrição: SIMPLICIDADE, HUMILDADE e COMPAIXÃO”. Estas três palavras formam a mola mestra da filosofia de Dr.Bach:
SIMPLICIDADE - lembrando que a cura está na Natureza – nos campos magnéticos das flores e dos homens se harmonizando, permitindo o equilíbrio interior.
HUMILDADE – está na nossa disponibilidade para perceber o outro. A nossa meta é buscar o crescimento pessoal.
COMPAIXÃO – está na determinação a entender cada um e ajudar as pessoas a perceberem que todos têm virtudes e que podem ser recuperadas a qualquer momento. A dor e o sofrimento devem ser transformados em uma grande oportunidade de aprendizado.


Porta da Casa Mount Vernon
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