terça-feira, 14 de janeiro de 2014

O Amor e a Saúde - Dr.Bach e Dalai Lama - parte 2

Nossa Necessidade de Amor

"Em última análise, a razão pela qual o amor e a compaixão podem aumentar nossa felicidade deve-se  simplesmente ao fato de que a nossa natureza os preza acima de tudo. A necessidade de amor está no próprio fundamento da existência humana. É o resultado de uma profunda interdependência que todos nós compartilhamos.  Seja qual for a capacidade ou a habilidade de qualquer indivíduo,  se ele for deixado sozinho,  não sobreviverá. Assim como, independentemente do vigor e autossuficiência de qualquer individuo  durante alguns períodos mais prósperos de sua vida, quando ele adoece,  sendo  jovem  ou muito velho, ele  precisará contar com o apoio dos outros.

Interdependência, é claro, é uma lei fundamental da natureza. Não somente  das formas superiores de vida, mas também muitos dos menores insetos existentes  são seres sociais que, sem religião, lei ou  educação, sobrevivem pela cooperação mútua, baseados em um reconhecimento inato de sua interconexão.  O nível mais sutil de fenômenos materiais também é regido pela interdependência. Todos os fenômenos do planeta que habitamos, desde oceanos, nuvens, bosques até as flores que nos cercam, surgem da dependência de padrões sutis de energia. Sem a adequada  interação, eles se dissolvem  e entram em decadência.

É pelo fato de nossa própria existência humana ser tão dependente da ajuda dos outros  que a nossa necessidade de amor constitui o próprio fundamento da nossa essência. Portanto, precisamos de um verdadeiro sentido de responsabilidade e uma preocupação sincera pelo bem-estar dos outros. Temos que levar em conta o que nós, seres humanos, realmente somos. Nós não somos como os objetos feitos à máquina. Se nós fossemos apenas entidades mecânicas, então  as próprias máquinas poderiam  aliviar todos os nossos sofrimentos e satisfazer nossas necessidades .




No entanto, uma vez que nós não somos criaturas apenas materiais, é um erro  colocar todas as nossas esperanças por  felicidade no desenvolvimento externo simplesmente . Em vez disso, devemos levar em conta  nossas origens e nossa natureza para descobrir de que nós realmente precisamos.

Deixando de lado a questão complexa da criação e evolução do nosso universo, podemos pelo menos concordar que cada um de nós é o produto de nossos próprios pais. Em geral, a nossa concepção ocorreu não apenas no contexto do desejo sexual, mas da decisão de nossos pais em ter um filho. Tais decisões são fundadas na responsabilidade e altruísmo - o compromisso compassivo dos pais de cuidar de seu filho até que ele seja capaz de cuidar de si mesmo. Assim, desde o momento de nossa concepção, o amor dos nossos pais está diretamente relacionado com nossa criação.

Além disso, somos completamente dependentes de cuidados de nossas mães, desde as primeiras fases de nosso crescimento. De acordo com alguns cientistas, o estado mental de uma mulher grávida, seja calmo ou agitado, tem um efeito físico direto sobre o feto.

A expressão de amor também é muito importante no momento do nascimento. Uma vez que a primeira coisa que fazemos é sugar o leite do seio de nossas mães, nós naturalmente nos sentimos próximos a ela, e ela deve sentir amor por nós, para que possa nos alimentar adequadamente; se ela sentir raiva ou ressentimento seu leite poderá não fluir livremente.

Depois, há o período crítico do desenvolvimento do cérebro a partir do momento do nascimento até pelo menos a idade de três ou quatro anos, período em que o contato físico amoroso é o fator mais importante para o crescimento normal da criança. Se a criança não for segurada, abraçada, afagada, ou amada, seu desenvolvimento será debilitado e seu cérebro não amadurecerá corretamente.

Uma vez que uma criança não pode sobreviver sem os cuidados de outra pessoa, o amor é seu alimento mais importante. A felicidade da infância, a dissipação dos muitos medos da criança e o desenvolvimento saudável da sua autoconfiança, tudo depende diretamente de amor. Hoje em dia, muitas crianças crescem em lares infelizes. Se eles não recebem carinho adequado, mais tarde na vida, raramente amarão seus pais e, não raro, terão dificuldades para amar o próximo. Isso é muito triste.




À medida que as crianças crescem e entram na escola, sua necessidade de apoio deve ser cumprida por seus professores. Se um professor não só transmite formação acadêmica, mas também assume a responsabilidade de preparar os alunos para a vida, seus alunos vão sentir confiança e respeito e, o que for ensinado vai deixar uma impressão permanente em suas mentes. Por outro lado, disciplina ministrada por um professor que não mostra a verdadeira preocupação pelo bem-estar geral de seus alunos será considerada temporária e não permanecerá por muito tempo.

Da mesma forma, se alguém está doente e sendo tratado no hospital por um médico que demonstra calor humano, ela se sentirá à vontade sendo que o simples  desejo dos médicos de fazer o melhor  possível, torna-se em si mesmo, curativo, independentemente do grau de suas habilidades técnicas.  Por outro lado, se um médico não tem sentimento humano e exibe uma expressão hostil, impaciência ou negligência ocasional, o paciente sentir-se-á ansioso, mesmo que se trate de um  médico mais qualificado, ou que e a doença já tenha sido corretamente diagnosticada e a medicação correta, prescrita. Inevitavelmente, os sentimentos dos pacientes fazem a diferença para a qualidade e integridade de sua recuperação.

Mesmo quando nos envolvemos numa conversa comum na vida cotidiana, se alguém fala com sentimento humano, nós gostamos  de ouvi-lo e respondemos em conformidade; toda a conversa torna-se interessante, mesmo que o tema seja sem importância. Por outro lado, se uma pessoa fala friamente ou com aspereza, nos sentimos pouco à vontade e desejamos uma finalização rápida para a conversa. Desde o menor até o mais importante evento, a afeição e o respeito dos outros são vitais para a nossa felicidade.



Recentemente, encontrei um grupo de cientistas nos Estados Unidos que disse que a taxa de doença mental em seu país era muito alta, em torno de doze por cento da população. Ficou claro, durante nossa discussão,  que a principal causa da depressão não era a falta de necessidades materiais, mas a privação do afeto.

Então, como você pode ver, de tudo o que escrevi até agora, uma coisa parece clara para mim: se estamos ou não conscientes disso, desde o dia em que nascemos a necessidade de afeto humano está em nosso próprio sangue. Mesmo que o carinho venha de um animal ou de alguém que normalmente consideramos como inimigo, tanto crianças como adultos, irão  naturalmente,  gravitar em torno dele.



Eu acredito que ninguém nasce livre da necessidade de amor. E isto demonstra que, embora algumas escolas de pensamento moderno procurem fazê-lo, os seres humanos não podem ser definidos como sendo simplesmente seres físicos. Nenhum objeto material, por mais bonito ou valioso que seja, pode fazer com que alguém se sinta amado, pois a nossa mais profunda identidade e caráter verdadeiro baseiam-se na natureza subjetiva da mente."
Dalai Lama, Sua Santidade




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